Jovens mais informados e menos envolvidos socialmente

24/04/2019 09:53

As gerações Y e Z, que podem ser consideradas como as gerações mais preparadas em termos de tecnologia e informação, também as mais despreparadas em termos de consciência, participação política e sentimento de comunidade.

Estas gerações desenvolvem-se em uma época de grandes avanços tecnológicos, ampliação das oportunidades na área da educação, estabilidade e prosperidade econômica, sem noção prática do significado de dificuldade financeira.

Possuem acesso aos mais variados bens materiais e de consumo duráveis e usufruem de um mix variado de alimentação, diferentemente da origem de seus antepassados. Crescem estimulados por atividades lúdicas diversas e contato com os meios de comunicação de massa.

No campo educacional visam a convivência com os colegas, o aumento da rede social e acreditam que o que importa é o “diploma”, sendo que o mesmo pode ser conquistado com “a realização de tantos testes quanto necessários”.

Acompanham a evolução do mundo digital e suas famílias procuram poupá-los do trabalho “braçal” e de situações desconfortáveis.

No mundo do trabalho possuem dificuldade para exercer tarefas subalternas de início de carreira, lutam por salários mais “avantajados” desde o começo de sua jornada, têm “sede” por desafios e buscam constantes feedbacks. Não se espelham nos profissionais mais experientes do seu local de trabalho e avaliam que “não vale a pena seguir esses exemplos” por terem uma “outra visão do trabalho”.

Como consumidores são exigentes, informados sobre os produtos e com peso na decisão de compra. Preferem realizar compras no mundo virtual, em detrimento da loja física. Compram motivados por preferências ou modismo, a partir de tendências, com base na tribo ou segmento a que pertence.

Quanto mais jovem, maior a familiaridade com o mundo digital, maior a tendência ao individualismo, à competição, e menor a capacidade de relacionamento social com o mundo real das instituições sociais e representativas.

Estes jovens apresentam os maiores índices de ceticismo, não acreditam na política e nos políticos, não legitimam os sindicatos e as instituições representativas. Não confiam nas instituições e não percebem a utilidade na existência das mesmas. Mas podem se engajar digitalmente em uma pauta e até fazer um ativismo político.

O conceito de cidadania, para essas gerações, está associado a direitos e não a deveres. Em parte, este comportamento social está sendo “alimentado” pela percepção de que há muitos direitos, sem a consciência de que há deveres e de que o direito de um acaba, quando começa o do outro.

Seus sonhos estão mais atrelados às conquistas pessoais e a qualidade de vida. Essas gerações não se “sentem” ou se posicionam como agentes transformadores da sociedade, não foram educados a se preocupar com o “outro”. Tal comportamento é resultado do fenômeno da tecnologia aliada as vivências e experiências destes jovens em seu próprio seio familiar.

Na prática, para entendermos essa geração temos que nos reportar ao seu contexto de criação: maior proteção dos pais, acesso a tecnologia de toda ordem, espaço próprio para manter a sua individualidade, menor relação com outras pessoas, pouco convívio com familiares, igreja e atividades sociais.

Não podemos esquecer que esses jovens foram e estão sendo criados com a informação de que a política não presta, que os políticos atuam em causa própria. E nesse ambiente o individualismo é um caminho natural de autoproteção social.

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