A expectativa do eleitor para 2018

08/08/2018 16:49

A principal pergunta deste momento é qual o desejo do eleitor? Perguntar o desejo do eleitor não é uma tarefa fácil para um instituto de pesquisa, pois o eleitor tem dificuldade de dizer suas expectativas.

O sentimento do eleitor em relação aos políticos se assemelha ao sentimento de mágoa de uma pessoa traída e enganada. Muitos eleitores estão decepcionados, outros frustrados e alguns estão rancorosos.

Com a premissa de que “a esperança é a última que morre”, uma parcela dos eleitores tenta renovar as esperanças. Enquanto que outra parcela se divide entre eleitores descrentes e racionais, que se mostram pragmáticos com a realidade em que vivem.

Neste contexto, durante uma pesquisa o eleitor primeiro precisa desabafar, criticar, reclamar e depois disso é que ele consegue projetar seus desejos, suas expectativas. A primeira coisa que o eleitor almeja é por uma mudança no comportamento dos políticos ou na forma como o sistema político está organizado. Ele deseja que os políticos façam apenas a sua obrigação: representar o povo com honestidade.

O sentimento de traição está associado a percepção de que a maioria dos políticos atuam em causa própria e que a corrupção é uma consequência natural do poder. Para o eleitor quando um político é eleito passa a ter um cargo e estrutura e fica suscetível as intempéries da corrupção. O eleitor acredita que a maioria dos políticos acaba sucumbindo.

Diante deste contexto o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionou aos eleitores gaúchos se o resultado da eleição geral de outubro de 2018 vai fazer a vida melhorar?

- Vai fazer a vida melhorar = 24,9%

- Vai ficar a mesma coisa = 48,9%

- A vida vai piorar = 21,4%

- Não sabe avaliar = 4,8%.

O resultado demonstra que quase a metade dos eleitores não acredita que a eleição de 2018 trará melhoria para a vida das pessoas. E a outra metade se divide entre os que creem em melhoria e os que temem pela piora do cenário.

Quando o eleitor pensa no Brasil, sua maior preocupação é com o combate a corrupção. Na leitura da população, o controle da corrupção tende a diminuir a maior parte das mazelas sociais. É como se a corrupção fosse percebida como um mal que diminui a capacidade do Estado e paralisa os governantes.

Os eleitores fazem ilações de toda ordem. Associam a corrupção da Petrobrás como um dos motivadores da crise econômica. Concluem que crise fomenta o aumento do custo de vida (da energia, dos combustíveis) e, por consequência, afeta a capacidade de compra da população que por sua vez, propicia o aumento do desemprego. Com mais dificuldades econômicas, aumenta a injustiça social e há mais famílias e jovens vulneráveis a influência e o domínio do crime organizado. O crime organizado se fortalece e aumenta a sensação de insegurança da sociedade.

Por isso que o eleitor afirma que as principais prioridades para o próximo Presidente devem ser: o combate a corrupção, a economia e a segurança. Mas isso não diminui a relevância de temas como saúde, educação e infraestrutura.

É importante destacar que o eleitor não esquece de registrar que, por essência, a educação deveria ser a pauta principal de um governante. A educação tem o poder de transformar o sistema de crença das pessoas a partir da inserção de novas visões de mundo. E a sociedade necessita ter consciência e rever o papel que o jeitinho brasileiro ocupa no cotidiano. E como ele está impregnado nas relações sociais e serve como uma escada para a corrupção.

O eleitor irá zapear os candidatos

31/07/2018 11:41

No dia 16 de agosto começa a campanha eleitoral e, no dia 31 de agosto, o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. Além disso, os candidatos poderão fazer campanha eleitoral nas redes sociais e impulsionar suas publicações, aparecendo, a qualquer tempo, na timeline dos eleitores.

Nestas eleições gerais o eleitor terá que destinar voto a seis candidatos: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e estadual. Uma ingrata tarefa para os eleitores que oscilam entre a esperança e a frustração.

Com o crescimento da internet e com a maioria dos gaúchos conectados as redes sociais (86%), o principal questionamento é sobre qual meio o eleitor utilizará para se informar sobre o processo eleitoral e, principalmente, o peso das redes sociais nas eleições do Brasil.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião tem realizado estudos quantitativos e qualitativos no RS a fim de compreender a percepção e a tendência dos eleitores.

Questionados especificamente sobre a inclinação de assistir ao horário eleitoral gratuito, a maioria dos eleitores (57,4%) declara que assistirá ao horário na televisão. Ao serem interpelados sobre a utilização das redes sociais para se informar sobre as eleições, 40,3% dos eleitores afirmam que utilizarão as redes para buscar informações sobre os candidatos.

É importante registrar que um meio não substitui o outro. Para a maioria dos eleitores, cada meio de comunicação tem um papel: TV é o espaço do conhecimento dos candidatos e da credibilidade e as redes sociais são o espaço para pesquisa e relacionamento com os candidatos.

A televisão é vista como o local de apresentação dos candidatos, onde o eleitor poderá analisar a todos de forma comparativa. O tempo de TV confere um poder simbólico aos candidatos. Para o eleitor, quanto maior é o tempo de TV de um aspirante a um cargo, maior é a sua capacidade de articulação e representação política. Em época de fake news, a campanha eleitoral na televisão será um espaço importante para que o eleitor escolha a sua base de candidatos para pesquisa no Google. E, segundo os eleitores, os candidatos “ficha limpa” não terão receio de indicar a pesquisa de seu nome na internet.

A partir da credibilidade da televisão estes eleitores utilizarão as redes sociais para pesquisar sobre a vida dos candidatos, ver as informações nos portais de transparência, checar denúncias, analisar projetos ou, até mesmo, entrar em contato a fim de analisar sua capacidade de retorno.

Em comparação com a eleição de 2014, a campanha eleitoral de 2018 continuará sendo realizada de forma presencial, mas também se fará muito presente nas redes sociais.

O tradicional “santinho de cola” continuará sendo entregue, mas será acompanhado de uma versão digital que rodará pelo WhatsApp dos grupos, fazendo com que muitos eleitores consultem o seu smartphone quase em frente da urna.

Enquanto que a metade dos eleitores irá zapear os candidatos, utilizando os vários meios, 1/3 dos eleitores não querem saber de eleição e, declaradamente, se apresentam como eleitores descrentes que tendem a se alienar (votar branco, nulo ou se abster).

Muita coisa continuará igual nesta eleição! Não faltará o eleitor de última hora, que não vai assistir ao horário eleitoral, não vai acompanhar os candidatos nas redes sociais e que vai pedir indicação aos amigos e familiares. E como já é conhecido, também terá o eleitor que espera a troca de favores, pensando somente em seu próprio benefício.

Como você se comporta no supermercado?

24/07/2018 11:45

Fazer compras no supermercado é uma jornada comum à maioria da população. Mas o que parece ser tão igual, necessariamente, não o é!

Cada decisor de compra tem um tipo de comportamento quando vai ao supermercado e este comportamento não está associado apenas ao orçamento, a capacidade econômica de cada família. Além da questão financeira há diferenças relacionadas as características, a cultura alimentar e a rotina de compromissos de cada decisor.

Há pelo menos sete tipos de consumidores:

O consumidor prático = É o consumidor que não tem muito tempo e precisa otimizar suas compras. Procura o supermercado em que possa realizar a compra com agilidade. Este consumidor leva em consideração o espaço entre as gôndolas, a sinalização dos corredores, a manutenção dos produtos em seus locais de costume e até mesmo a agilidade das filas.

O consumidor racional = É aquele que faz a lista de compra em casa e compra o que está na lista, o que realmente precisa. Este consumidor escolhe o supermercado que tenha o mix mais variado de opções, com preço justo e localização próxima.

O consumidor pechincheiro = É o típico consumidor de folhetos e promoções. Pega os encartes de supermercado e compara produtos X preços. Este consumidor pode mesclar suas compras em diferentes locais e calcula a economia de cada compra. A comparação de preços é realizada pelos que tem poucos recursos, mas também pelos que não gostam de “jogar dinheiro fora”.

O consumidor desligado = É aquele que sabe que há várias coisas faltando em sua casa, mas como não planejou as compras acaba levando produtos que não precisava e deixando de levar o que precisava.

O consumidor de vizinhança = É aquele consumidor que reside perto de um supermercado e acaba realizando compras muito frequentes, pegando o que precisa para o dia. Este consumidor estabelece uma relação de amizade com os funcionários e a ida ao supermercado se torna parte do lazer cotidiano. Trata-se de um consumidor que tem uma agenda mais tranquila, sem uma rotina de trabalho.

O consumidor consciente = Este consumidor tem uma visão holística sobre a compra. Avalia desde o posicionamento do supermercado em termos de política de gestão de pessoas até as principais marcas de produtos comercializadas. É o consumidor valoriza marcas com responsabilidade social e, especialmente, produtos locais.

O consumidor regrado = É aquele decisor de compra que prioriza uma alimentação saudável para sua família ou tem familiares com restrição alimentar (como alergia a lactose ou glúten). Para este consumidor é importante que o supermercado tenha um mix variado de produtos naturais, orgânicos e alternativos.

O volume de compra de cada tipo de consumidor está diretamente associado ao preparo do alimento. Quanto maior for a prática de preparar os alimentos em casa, maior será o consumo de produtos de supermercado. Famílias que almoçam fora ou se alimentam com lanches rápidos mantém um ticket médio de compra menor do que as que preparam em casa.

O consumo de produtos de limpeza varia de acordo com o tamanho do imóvel, composição familiar e a frequência de limpeza (que está associada ao hábito, a cultura de cada família). Neste debate, a estabilidade maior é dos produtos de higiene e beleza. Neste caso, o consumo varia mais pelo poder aquisitivo. Quanto maior a renda familiar, maior o acesso a produtos de higiene e beleza.

Cada consumidor tem um estilo, você já pensou no seu?

Individualmente somos mais ativos

17/07/2018 10:09

Vivemos na era da transformação digital. Estamos passando por uma verdadeira revolução que altera progressivamente o nosso comportamento: seja na forma que nos relacionamos com as pessoas, em nossos hábitos de compra, na forma como organizamos e fazemos nossas viagens e, também, na nossa maneira de acessar a informação. 

O consumidor, o eleitor, o cidadão foi e está sendo empoderado pela internet, vivendo dia a dia um processo de aprendizagem e estabelecendo um novo comportamento. A cada pesquisa que o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião realiza, maior é o índice de pessoas que adentram e utilizam o mundo digital.

E quando uma pessoa aprende a navegar na internet realiza uma nova experiência. O mesmo ocorre quando faz um perfil nas redes sociais. É como se ganhasse uma nova identidade em um novo mundo. Essa pessoa passa a procurar conhecidos ou saber se aquele amigo ou familiar também tem um perfil. Na sequência, passa a pesquisar na internet, a ver filmes e ouvir músicas de preferência, se aventura nas compras on-line, solicita carro por aplicativo e até mesmo agenda hospedagem em outra cidade.

O mundo digital altera a dinâmica individual das pessoas. No que se refere ao acesso a informação, os indivíduos que eram seres passivos estão se tornando seres ativos. Se tornam seres ativos pela capacidade de selecionar o que vão assistir e interagir com o conteúdo. Hoje o consumidor tem o poder de zapear as várias tecnologias e fazer o efeito multitela (assistir TV junto a outros canais de comunicação, inclusive comentando simultaneamente o programa que está assistindo nas redes sociais).

Se torna um ser ativo pela geração de informação e produção de imagens. Compartilha os acontecimentos cotidianos e, em alguns casos “cobre” um acontecimento antes mesmo da impressa.

É ativo por estar empoderado pela internet, podendo pesquisar tudo sobre um produto antes mesmo de visitar a loja física. No passado, o consumidor que desejava uma televisão procurava uma loja e aprendia as vantagens de cada marca com o vendedor (isso quando encontrava um vendedor que tinha essa boa vontade). Hoje, o consumidor pode pesquisar os televisores que foram lançados, o valor médio, o melhor preço, as vantagens tecnológicas sobre cada equipamento e, ainda, ver os comentários dos consumidores sobre o produto e seus benefícios.

O contrário também vem acontecendo, há consumidores que vão até uma loja de varejo e avaliam os principais produtos à disposição. Este consumidor ativo e empoderado não opta por um produto similar se não houver um mix variado ou não tiver exatamente o que procura. Ele pega o descritivo do produto e faz o pedido na internet. Se pensarmos, há pouco tempo atrás, somente o lojista é que poderia fazer este pedido.

Este consumidor empoderado é um consumidor mais exigente, que cada vez mais tem a capacidade de comparar processos, produtos e atendimentos em um click, utilizando-se da experiência de compra na internet.

Este consumidor mais exigente se relaciona diretamente com as marcas: ama, critica, odeia, contextualiza, compartilha, etc. E, um consumidor insatisfeito, além de colocar a ‘boca no trombone’, registra a reclamação em todos os canais possíveis e marca a empresa em uma reclamação em sua própria timeline, podendo ter a solidariedade de muitos outros consumidores.

O empoderamento cria um ativismo individual. Um ser mais ativo para as suas práticas individuais. A tarefa é tornar esse indivíduo um sujeito desta transformação social e um ser ativo em prol da coletividade.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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