O consumidor gaúcho e a sua relação com a loja virtual

24/04/2018 14:40

A tecnologia está cada vez mais presente na vida dos gaúchos, sendo que mais de 80% dos consumidores estão conectados nas redes sociais e o smartphone é um instrumento presente “nas mãos, nas bolsas e nos bolsos” da maioria da população.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião tem se dedicado a compreender a relação entre a utilização da internet e a experimentação de compra em lojas virtuais e a tendência do consumidor.

Um dos fatores interessantes extraídos de estudos etnográficos, com base em jornadas de compra, traz a reflexão sobre a motivação do consumidor em sua primeira experiência em loja virtual. Uma grande parcela dos consumidores gosta de ter novas experiências, de se experimentar em compras no mundo virtual. Entretanto, a preocupação com os perigos do mundo virtual funciona como um limitador da experimentação da loja virtual.

O fator que motiva a compra virtual está no mundo real: na rede de relacionamentos, na conversa entre as pessoas. Consumidores que já experimentaram uma loja virtual, que já realizaram compras na internet influenciam e orientam outros consumidores a realizarem suas compras pela web. A troca de informações entre consumidores contempla desde a indicação das lojas virtuais mais competitivas em termos de preço, mas também em relação a qualidade dos produtos e, especialmente, em termos de tempo de entrega. Sem contar, que as lojas virtuais de maior credibilidade, são aquelas que existem também em lojas físicas.

Em pesquisas quantitativas, verifica-se que 1/3 dos consumidores gaúchos realizam compras pela internet. O hábito de compra pela internet se acentua entre os mais jovens, representando 50% da população de 16 a 24 anos e 36% dos que possuem de 25 a 34 anos. O perfil de escolaridade se caracteriza, principalmente, pelo nível superior e renda acima de 6 salários mínimos familiares.

Estes consumidores declaram que os produtos preferenciais para compra via web são: eletrodomésticos, eletroeletrônicos, material de informática, livros e revistas, acessórios (joias, relógios, óculos), roupas, calçados entre outros.

No público que estabelece relação com a compra on-line, há vários motivos que sustentam a preferência pela loja virtual em detrimento da loja física. A comodidade/praticidade se destaca como principal fenômeno, mesmo levando em consideração que em muitos casos, não há diferença de preço tendo em vista o custo de logística para entrega do produto.

Neste sentido os diferenciais competitivos da loja virtual estão alicerçados na relação que a loja estabelece direto com o consumidor e a agilidade propiciada. Entretanto, os entrevistados registram que a relação começa pela confiança do consumidor na marca (no portal consultado) e se consolida pelo número de opções disponíveis, no mix de produtos (em especial em relação aos produtos que não estão disponíveis nas lojas físicas).

A praticidade, comodidade propiciada pela loja virtual também está associada a possibilidade de pesquisar detalhadamente a descrição e os detalhes do produto. Parece contraditório, mas é como se o consumidor sentisse empoderado e com maior capacidade de entender o que está comprando.

Este jovem consumidor de hoje constituirá o cerne do consumidor de amanhã e para seguir a tendência deste consumidor, em especial os com maior poder aquisitivo, as lojas de varejo devem se preparar para se relacionar com o consumidor de ambas as formas (com loja física e virtual).

Quem está por traz de uma empresa de pesquisa?

17/04/2018 08:00

Semanalmente analiso dados de pesquisa referentes ao comportamento humano. Resultados que refletem o pensamento da sociedade de forma geral (de um estado, de uma cidade, etc.) ou de forma segmentada, opinião de pessoas que compreendem instituições (como família, instituição religiosa, escola, associação, governo, etc.).

Algumas pessoas me questionam como são feitas as pesquisas e quais os profissionais são responsáveis por realizar pesquisas com as pessoas? E, seguidamente, há o questionamento clássico: “por que eu nunca fui entrevistado?”

Há muitos tipos de pesquisas que envolvem a opinião, a declaração de pessoas: desde as pesquisas de satisfação, passando pelas pesquisas de hábito e comportamento de consumo, de mercado, de preferência por meios de comunicação (audiência de rádio, televisão ou jornal) e até as pesquisas eleitorais.

Para compreender a tendência do comportamento humano, na maioria dos casos, aplica-se pesquisa quantitativa que possibilita a realização de entrevistas com uma amostra de pessoas e estima-se os resultados para toda a população. Significa dizer que, para compreender o que pensa a população de uma cidade ou os associados de uma instituição, não se faz necessário entrevistar todos os membros desta população e sim, uma parte, uma amostra, desde que ela seja representativa do todo.

Mas é aí que reside a primeira tarefa técnica: a capacidade de desenhar a amostra representativa. A amostra deve ser calculada garantido todos os elementos que representem a população. Vamos imaginar uma associação: para garantir a representação de uma amostra é necessário calcular o tempo de associado (pois há empresários muito experientes e alguns que são entrantes), os segmentos de atuação, o porte da empresa e a região de localização (um empresário do centro tem percepções diferentes de um empresário de bairro), enfim, precisa levar em consideração a proporção de todos os aspectos que compõem o grupo a ser estudado.

E para fazer a amostra existe o profissional da estatística: o estatístico, que é responsável pelos “tais percentuais” de representação. O estatístico responde pelos cálculos amostrais e também pelos cálculos analíticos (é quem calcula ou valida os números que permitem estimar os resultados da amostra para toda a população).

Além do estatístico, para estudar a realidade social é indispensável o sociólogo, que é o profissional que estuda o comportamento humano de forma coletiva. Não é à toa que sociologia é a ciência que estuda a sociedade.

O sociólogo cuida da elaboração do instrumento de pesquisa (como filtros, questionários, etc.) e coordena todo o processo de pesquisa atinente a realidade social, fazendo com que cada objetivo de pesquisa se torne uma pergunta e que cada pergunta tenha a capacidade de confirmar ou refutar uma hipótese sobre a realidade em que se vive.

E como a realidade é constituída por vários saberes, conforme o segmento em análise, junto com o estatístico e o sociólogo se aglutinam outros profissionais que contribuem para aprofundar uma análise. Um exemplo, seria a pesquisa de intenção de compra para o dia das mães, onde se compartilham conhecimentos com o psicólogo e o economista. O psicólogo traz consigo a análise sobre a relação afiliativa e a influência no processo de compra, enquanto que o economista traz para o debate a influência da economia nesta decisão. E assim uma empresa de pesquisa faz ciência, trabalhando com cientistas!

A dificuldade do eleitor em votar em candidatos que representem a sua cidade

16/04/2018 15:11

A cada eleição geral, onde se vota para deputado estadual e federal, volta-se ao mesmo questionamento: por qual motivo os eleitores destinam o seu voto para candidatos que não tem vínculos com a sua cidade/ideais ou não destinam o seu voto a nenhum candidato?

Cabe ao deputado estadual representar o povo na Assembleia Legislativa, fazendo as leis estaduais e fiscalizando o trabalho do Executivo. A mesma lógica para o deputado federal, que representa o povo no Congresso. Na prática, o Deputado Estadual é a voz de uma região no Estado e o deputado Federal representa a voz de uma região no Brasil. E uma região que não tem representação, não tem voz!

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião demonstram que a maior parte do eleitorado não confia nas instituições e nos partidos políticos, nem lembra em quem votou para deputado na última eleição, e nas eleições 1/3 dos eleitores tende a se alienar (votar branco, nulo ou se abster). Um quadro que estimula um círculo vicioso: um distanciamento dos eleitores com a política e, por consequência, um sistema que favorece o afastamento dos representantes junto aos seus representados.

Este cenário é fomentado pela cultura política, onde o eleitor:

- mostra a sua perplexidade diante dos intermináveis escândalos de corrupção;

- não esconde sua decepção com políticos que prometem e não cumprem;

- nem sabe quem são ou desconhecem as ações e a atuação de seus representantes.

O somatório destas percepções sustenta a ideia de que os políticos não visam o bem comum e que atuam em causa própria.

Diante deste raciocínio, o eleitor acaba escolhendo o candidato mais por sua imagem/reputação do que por seus ideais ou propostas políticas. O eleitor escolhe o candidato com a “melhor” imagem/reputação, como uma ação preventiva: “escolher o menos pior”.

A escolha de um candidato pela imagem não estreita os laços entre representantes e representados, mantendo o ciclo vicioso de frustração. Para que haja o estreitamento desta relação é necessário:

a) Que o eleitor tenha consciência de sua demanda, reflita sobre o que deseja para a sua cidade (em relação a saúde, segurança, educação, infraestrutura, etc) e o que deseja para sua vida, no que acredita (em termos de crenças, como por exemplo: privatizações, posição sobre pena de morte, aborto, reforma da previdência, desarmamento, etc).

b) Que o eleitor visualize os candidatos que defendem propósitos similares as suas demandas, percepções. Um eleitor que acredita que X deve ser feito precisa votar em um candidato que defende X e acompanhar a sua atuação.

c) Que o eleitor avalie o histórico dos candidatos e a capacidade destes em representar o propósito que apregoa.

d) Que o eleitor verifique os canais de comunicação com este candidato, seja de forma pessoal ou de forma virtual, permitindo o acompanhamento das ações de seu parlamentar.

Os partidos políticos e os candidatos também têm responsabilidade neste processo. Os partidos políticos precisam diminuir o número de candidatos em cada região e destacar os diferenciais, o propósito e as bandeiras de cada candidato. Os candidatos, por sua vez, precisam se comprometer com estas demandas, lutar pelas mesmas e se manter conectados as suas bases, prestando contas com os eleitores.

Estreitar as relações entre representantes e representados é retomar o princípio básico da democracia representativa, onde as cidades tenham voz.

O desejo do eleitor

03/04/2018 17:00

Nesta época é comum questionarem o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião sobre as expectativas do eleitor para o pleito de 2018. A pergunta corrente é a seguinte: o que o eleitor está pensando? O que ele quer nesta eleição?

O eleitor continua querendo o que queria, os velhos dilemas e almeja pelo retorno do que perdeu, que configuram os novos dilemas!

O eleitor continua com os velhos dilemas: como dificuldade de acesso a saúde, deficiências na área da educação e muitas demandas na área de infraestrutura. Nas pesquisas de opinião, em época de eleição, a maior parte dos eleitores arrola todos os problemas cotidianos, sem se preocupar com a esfera responsável (municipal, estadual ou federal).  

Os dilemas da área da saúde continuam na dificuldade de acesso ao atendimento médico e se acirra nos prazos de marcação de exames, no agendamento de cirurgias e na busca de medicação especializada. Os eleitores percebem o avanço da medicina e o retrocesso do sistema público de saúde que, em muitos casos, precisa da ordem judicial para garantir a sobrevivência de um paciente.

Há muita preocupação com a área da educação. A população percebe que há uma displicência com a educação. Esta displicência é percebida pela falta de manutenção dos prédios das escolas públicas e pela diminuição do status dos professores, que tiveram que abandonar a luta pelo piso salarial e brigar pelo pagamento dos salários em dia. Uma escola é feita por estrutura física e por pessoas, se há problemas nestas duas áreas há problemas na educação.

A preocupação do eleitor com a infraestrutura perpassa principalmente a situação das ruas de sua cidade e das rodovias. Os eleitores reclamam de problemas crônicos de mobilidade urbana que afetam o seu cotidiano, aumentam a insegurança no trânsito e até dificultam o escoamento da produção.

Mas há os novos dilemas e que serão a “sensação” dos debates eleitorais. Os novos dilemas estão associados a segurança pública e a situação da economia.

A segurança pública é a grande preocupação do eleitor, que tem repensado a sua posição quanto ao desarmamento e alterado suas práticas cotidianas para diminuir as chances de ser uma vítima aleatória.

A diminuição do poder de compra e o aumento do desemprego é um outro dilema da população que não está satisfeita com o rumo da economia.

Os velhos dilemas represados, aliados aos novos dilemas fomentam uma alta expectativa de eleitores decepcionados com os escândalos de corrupção: cenário para um “salvador da pátria”.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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