A dificuldade do eleitor em votar em candidatos que representem a sua cidade

16/04/2018 15:11

A cada eleição geral, onde se vota para deputado estadual e federal, volta-se ao mesmo questionamento: por qual motivo os eleitores destinam o seu voto para candidatos que não tem vínculos com a sua cidade/ideais ou não destinam o seu voto a nenhum candidato?

Cabe ao deputado estadual representar o povo na Assembleia Legislativa, fazendo as leis estaduais e fiscalizando o trabalho do Executivo. A mesma lógica para o deputado federal, que representa o povo no Congresso. Na prática, o Deputado Estadual é a voz de uma região no Estado e o deputado Federal representa a voz de uma região no Brasil. E uma região que não tem representação, não tem voz!

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião demonstram que a maior parte do eleitorado não confia nas instituições e nos partidos políticos, nem lembra em quem votou para deputado na última eleição, e nas eleições 1/3 dos eleitores tende a se alienar (votar branco, nulo ou se abster). Um quadro que estimula um círculo vicioso: um distanciamento dos eleitores com a política e, por consequência, um sistema que favorece o afastamento dos representantes junto aos seus representados.

Este cenário é fomentado pela cultura política, onde o eleitor:

- mostra a sua perplexidade diante dos intermináveis escândalos de corrupção;

- não esconde sua decepção com políticos que prometem e não cumprem;

- nem sabe quem são ou desconhecem as ações e a atuação de seus representantes.

O somatório destas percepções sustenta a ideia de que os políticos não visam o bem comum e que atuam em causa própria.

Diante deste raciocínio, o eleitor acaba escolhendo o candidato mais por sua imagem/reputação do que por seus ideais ou propostas políticas. O eleitor escolhe o candidato com a “melhor” imagem/reputação, como uma ação preventiva: “escolher o menos pior”.

A escolha de um candidato pela imagem não estreita os laços entre representantes e representados, mantendo o ciclo vicioso de frustração. Para que haja o estreitamento desta relação é necessário:

a) Que o eleitor tenha consciência de sua demanda, reflita sobre o que deseja para a sua cidade (em relação a saúde, segurança, educação, infraestrutura, etc) e o que deseja para sua vida, no que acredita (em termos de crenças, como por exemplo: privatizações, posição sobre pena de morte, aborto, reforma da previdência, desarmamento, etc).

b) Que o eleitor visualize os candidatos que defendem propósitos similares as suas demandas, percepções. Um eleitor que acredita que X deve ser feito precisa votar em um candidato que defende X e acompanhar a sua atuação.

c) Que o eleitor avalie o histórico dos candidatos e a capacidade destes em representar o propósito que apregoa.

d) Que o eleitor verifique os canais de comunicação com este candidato, seja de forma pessoal ou de forma virtual, permitindo o acompanhamento das ações de seu parlamentar.

Os partidos políticos e os candidatos também têm responsabilidade neste processo. Os partidos políticos precisam diminuir o número de candidatos em cada região e destacar os diferenciais, o propósito e as bandeiras de cada candidato. Os candidatos, por sua vez, precisam se comprometer com estas demandas, lutar pelas mesmas e se manter conectados as suas bases, prestando contas com os eleitores.

Estreitar as relações entre representantes e representados é retomar o princípio básico da democracia representativa, onde as cidades tenham voz.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

Voltar Topo