O que é a nova política para o eleitor?

10/07/2018 17:12

A expressão “nova política” já está no discurso de muitos políticos que querem se apresentar de “cara nova” ao eleitor. Mas a nova política é muito mais do que um discurso, é um posicionamento!

Em estudos qualitativos, os cientistas do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, questionaram eleitores de diversas cidades do RS sobre o significado da nova política. Afinal de contas, a nova política está associada a um comportamento (que pode vir de um político já conhecido) ou a uma imagem (ser uma cara nova na política)?

Para o eleitor, a nova política é, antes de tudo, um novo comportamento. Está associada à expectativa em relação a quem ele destina o voto. Para o eleitor, o conceito de nova política é repleto de esperança, de crença nas pessoas de bem. A maior parte dos eleitores acredita que há mais pessoas honestas do que desonestas e, para tanto, é necessário estabelecer novos critérios de seleção dos representantes a serem eleitos.

O eleitor não confia nos políticos, mas quer confiar em uma pessoa, quer depositar seu voto em quem não esteja associada as velhas práticas políticas, o que o eleitor chama de velha política: políticos que fazem conchavos, que visam o seu próprio interesse, que não cumprem o prometido, são arrogantes e nem recebem o eleitor depois de eleitos.

Para conceituar a nova política o eleitor define características:

- Honestidade: diante de tantos escândalos de corrupção a honestidade é a principal característica desejada, o caráter é o centro do debate. O eleitor não acredita no argumento de que a honestidade não deveria ser exigida como característica por ser um princípio base de qualquer político. O caráter dos políticos tem sido questionado pela ausência de princípios, de escrúpulos e a nova política deve retomar à essência, a ideia de que um gestor público atua em prol da coisa pública e fala sempre a verdade.

- Transparência – Característica que está associada a honestidade e ao caráter. Quem atua na nova política deve ter a consciência de que é um servidor e não deve se servir de privilégios. Deve servir a sociedade e ter a clareza de que tudo o que administra é da sociedade. Neste contexto, a prestação de contas deve ser uma prática, deve estar no DNA.

- Compromisso com a palavra dada – O novo político precisa ser honesto e transparente, mas precisa ter condições de só prometer o que pode cumprir. O eleitor sabe que muitos políticos não são apenas demagogos, mas incompetentes: prometem o que não podem cumprir ou o que nem é de sua alçada. Citam casos de vereadores ou deputados que apresentam propostas de prefeito ou governador.

- Simplicidade – É a característica que agrega todas as demais características e dialoga subjetivamente com a imagem, com o estereótipo físico do candidato. Se o candidato tem caráter, é honesto, transparente e cumpre o prometido será alguém que fala em nome da sociedade, um membro da sociedade: “gente como a gente”. Neste contexto, o eleitor não imagina um candidato engravatado, com gel no cabelo e postura soberba.

O eleitor pressupõe que o novo político deve ter a simplicidade de um vendedor, que agrada o cliente, atende as suas necessidades e está sempre pronto para ajudar.

O desejo do eleitor é simples, muito simples: quer votar em quem sabe o que fazer e faz o certo! Resumindo: a nova política pressupõe um candidato honesto, que cumpra o prometido, que tenha  capacidade (sabe o que precisa ser feito), tenha transparência nas suas ações e que não se corrompa.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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