Rio Grande

"Não me consultaram"

Autor da obra do Fusca deve buscar seus direitos na justiça

Por Joseane Duarte , 12/09/2017, 16h34

A retirada do monumento do fusca que estava na entrada do balneário Cassino gerou polêmica, nesta terça-feira, 12. A secretaria responsável afirma que a obra estaria causando perigo à vida, podendo cair. O autor da peça, Guilherme Müller, afirma que não foi consultado sobre a retirada e que vai buscar seus direitos na Justiça.

O secretário de cultura do Rio Grande, Ricardo Freitas, afirma que o Fusca foi retirado para ser restaurado e, após a recuperação, será feita uma avaliação sobre como proceder com o veículo, já que existe um contrato de comodato com o artista.

Guilherme Muller é o autor da obra, caracterizada como Arte Contemporânea. Tem ateliê desde 1991 e é classificado como artista profissional. Ele conta que houve um projeto da Fundação Gilberto Salvador, em 2013, com o objetivo criar um espaço voltado para o estudo e o desenvolvimento de esculturas integradas à tecnologia naval de última geração no distrito industrial de Rio Grande.

Segundo o artista, o contrato de comodato com a Prefeitura, que autorizou a colocação das obras no espaço público, por 20 anos, acordou sobre iluminação, restauro ano a ano e uma placa explicando a obra de arte. “Minha obra não saiu do nada, foi baseada em uma tese intitulada Escravidão que o automóvel exerce sobre o ser humano”, comenta o artista. “A comunidade de Rio Grande não está preparada para entender a arte contemporânea”, afirma.

As obras foram instaladas em dezembro de 2013, reunindo o trabalho de três artistas: Ester Grinspum, Artur Lescher e Guilherme Müller. Cada um ganhou espaço para um trabalho, ficando Muller com seu Fusca na entrada do Cassino; outro Fusca, localizado na Henrique Pancada, é de autoria de Ester. Neste espaço, o carro não está suspenso, como na entrada do Cassino e por isso não oferece risco.

As peças foram construídas com retalhos de aço usado na fabricação de plataformas de petróleo no Polo Naval de Rio Grande, transformadas em esculturas contemporâneas. As formas foram moldadas por meio de técnicas metalúrgicas, misturando a arte e a tecnologia industrial. As peças foram criadas em um espaço próximo ao estaleiro do Rio Grande.

Guilherme afirma que irá procurar seus direitos na justiça, especialmente pela Lei 9610, que trata sobre os direitos autorais, o que pode gerar compensação financeira.

 

Foto: Divulgação

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