Rio Grande

Saúde

Técnicas alternativas à transfusão de sangue foram discutidas em evento no HU

Por Rodrigo de Aguiar , 12/03/2018, 15h15

Acadêmicos de Medicina e médicos rio-grandinos lotaram o auditório da área acadêmica do Hospital Universitário, nesta sexta-feira, para uma rodada de palestras a respeito das estratégias que salvam vidas sem a necessidade de transfusão de sangue. A técnica é bastante antiga, mas se constitui como um método inovador, pois a temática não costuma ser amplamente discutida entre a classe e nem mesmo em sala de aula.

De acordo com o médico especialista em gerenciamento e conservação do sangue, Werlen Souza Santos, a proposta não se trata de uma campanha contra a doação, mas sim uma forma de qualificar a comunidade médica e acadêmica sobre a utilização de modo racional do sangue. Pautado em dados da Anvisa, Santos informou que devido ao baixo número de doadores, o déficit dos bancos de sangue será de um milhão de bolsas, em 2030, o que leva a categoria a repensar e colocar em prática ações alternativas.

A epidemia de Febre Amarela também tem contribuído para a diminuição dos estoques dos bancos de sangue dos estados afetados, uma vez que as pessoas vitimadas e aquelas vacinadas estão impossibilitadas de fazer a doação. Essa escassez e os riscos de contaminação, levaram os profissionais ao desenvolvimento de técnicas cirúrgicas e o uso de equipamentos específicos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as transfusões trazem consigo riscos de complicações agudas e de transmissão de infecções, problemas que podem ser reduzidos com a diminuição da quantidade de transfusões desnecessárias. Nesse sentido, a OMS tem recomendado a utilização de um programa para conservação do sangue do próprio paciente, o chamado PBM.

Estruturado em três pilares, o método tem como objetivo tratar toda e qualquer anemia; minimizar a perda de sangue do paciente; e cooperar com a tolerância fisiológica de cada pessoa à anemia. Para o médico cardiologista do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, Antônio Alceu dos Santos, esse programa consiste em preservar o próprio sangue do paciente e com isso evitar a transfusão.

Os organizadores e palestrantes da noite enalteceram a presença dos estudantes e reforçaram a necessidade de ampliação do debate sobre o tema em sala de aula. A cidade do Rio Grande foi pioneira no estado ao promover um evento desta importância, que só havia acontecido no município de Lages, em Santa Catarina.

Fotos: Rodrigo de Aguiar/Grupo Oceano

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