Política partidária não combina com pandemia

30/06/2020 08:33

A pandemia é classificada como uma enfermidade epidêmica amplamente disseminada, é uma doença que se espalha pelo mundo. E não podemos enfrentar uma crise dessa proporção divididos.

A população já vinha se sentindo sufocada com a intolerância política, que estava sendo mobilizada por extremistas de direita e de esquerda. Uma polarização que tem feito mal à maioria das pessoas, e traz consigo a ampliação da negação da política e a desconfiança com as instituições.

E, de repente, veio a pandemia e a polarização começou a ganhar contornos cada vez mais perigosos, gastando-se muito tempo e energia com temas que não são de competência da política, chegando a associar o debate do isolamento e do distanciamento social a política partidária. Como se as pessoas que usam máscaras estivessem de um lado político e as pessoas que não usam estivessem de outro.

A grande parte da população não concorda com essa divisão, com uma polarização política partidária ou ideológica no momento em que mais se precisa de integração, de propósito em torno da vida e da economia.

Na opinião da maioria dos gaúchos os governantes precisam seguir a ciência como referência para tomada de decisão, buscando soluções adequadas do ponto de vista sanitário, para manter o maior número de empesas e de pessoas trabalhando. Não é um debate a favor ou contra a ciência, é um debate sobre como manter a saúde física e financeira da sociedade.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião indicam que a população reconhece que esse cenário de incerteza prejudicará todos os setores da economia e que só teremos possibilidade de “normalidade” com a vinda de uma vacina.

A população está muito preocupada com as sequelas financeiras, com seu endividamento pessoal e até mesmo com sua sobrevivência econômica. Essa preocupação com a situação financeira também repercute em problemas emocionais e familiares, ampliando a ansiedade, stress e até mesmo a depressão.

A grande parte dos gaúchos acredita que as aulas não devem retornar, que as escolas deveriam ficar fechadas nos próximos dois meses. A grande maioria (80%) afirma tem medo de se contaminar com o coronavírus e a metade da população avalia que as pessoas não estão se cuidando como deveriam.

Nesse contexto de dúvidas, receios e preocupações as pessoas mostram ojeriza ao debate político partidário que tenta utilizar a pandemia como plataforma discursiva. Como resposta, 1/3 dos gaúchos não tem interesse de assistir ao noticiário e se ampliou a rejeição aos partidos políticos.

Contudo, uma parcela da população mantém ativa a polarização política. Aproximadamente 20% dos gaúchos concordam ou também utilizam a pandemia para defender um ponto de vista político partidário ou ideológico, como se fosse um “vale tudo” das palavras. E esses gaúchos fazem “barulho” nas redes sociais e chegam a banalizar indicações médicas para manter seu ponto de vista.

O “sonho de consumo” da maior parte da população é pelo alinhamento e pela união das lideranças políticas. Que o prefeito esteja alinhado ao governador e esse ao presidente da república e vice-versa. Que todos os poderes da república estejam trabalhando na gestão da pandemia e, principalmente, no mapeamento dos transtornos e no planejamento das soluções para o desenvolvimento econômico e social de cada cidade nesse novo normal pós pandemia.

Comportamento e Sociedade

O Blog Comportamento e Sociedade será comandado por Elis Radmann.
Socióloga MTb 721
Mestre Ciência Política UFRGS
Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião  www.ipo.inf.br
Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia).
20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

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