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Encontro

Deputados e setor agropecuário debatem retirada da vacina contra aftosa no RS

Por Assessoria , 12/07/2019, 10h33

A Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo debateu a possibilidade de retirada da vacina contra febre aftosa nos rebanhos gaúchos em audiência pública realizada na manhã de ontem (11). O tema foi proposto pelo deputado Rodrigo Lorenzoni (DEM), veterinário, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha.

A audiência contou com a presença de autoridades sanitárias, veterinários, fiscais agropecuários e produtores rurais. Se por um lado, representantes do Ministério, Secretaria Estadual da Agricultura e Funasa asseguram que o RS vive um momento de grande oportunidade e expectativa com a evolução de status sanitário para zona livre febre aftosa sem vacinação, produtores rurais se mostraram cautelosos e inquietos com a suspensão da vacina.

“O debate técnico buscando a segurança na tomada de decisão sobre a retirada da vacina é o caminho a ser trilhado”, observou Lorenzoni após mais de três horas de debate. Para ele, a cautela é consenso entre autoridades sanitárias e entidades representativas do setor, apesar da necessidade de avanço do status sanitário gaúcho. Atualmente, o estado é reconhecido como zona livre de febre aftosa com vacinação.

O parlamentar informou que a Assembleia vai esperar o resultado da inspeção que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) procederá no próximo semestre para propor nova rodada de discussão sobre o assunto. “Precisamos superar gargalos, como o banco de vacinas e a continuidade de recursos orçamentários para a defesa sanitária. Só então, com segurança, poderemos tomar uma decisão que é um importante passo na consolidação da cadeia produtiva da carne e na busca de novos e melhores mercados internacionais”, destacou.

Passos necessários para a transição

O superintendente do Mapa no RS, Bernardo Todeschini, expôs um panorama com a evolução histórica do controle da doença na América Latina e o Plano Estratégico para Erradicação da Febre Aftosa no país. Ele descreveu os objetivos e a estrutura do Plano e explicou os critérios e o cronograma a serem adotados no estado para retirada da vacinação, além dos riscos e vigilância após a tomada da decisão. O médico veterinário mostrou os caminhos para o reconhecimento internacional de zona livre da doença sem vacinação.

Já o presidente da Fundação de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber, registrou os investimentos feitos em informatização e em reformas de inspetorias veterinárias no estado. Kerber defendeu que a decisão seja tomada com segurança e levando em conta a opinião técnica.

CRMV: RS ainda é vulnerável à doença

A presidente do Conselho de Medicina Veterinária do RS, Lizandra Dornelles, disse não acreditar que este seja o melhor momento para interrupção da vacina. Para ela, as condições financeiras do estado não dão garantia de investimentos no setor. Ela considerou, ainda, que o RS está vulnerável para os riscos da doença através de javalis. Já o presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários, Antônio Augusto Medeiros, falou sobre a valorização dos profissionais ligados ao setor, com mais recursos para evolução do trabalho técnico de acompanhamento e segurança sanitária.

Produtores apontam fragilidade

Três produtores rurais também se pronunciaram no evento. Rafael Peixoto, da Coopatrigo, relatou que na região fronteiriça entre Missões e a Argentina não há vigilância do trânsito de animais. Francisco Berta Canibal, representando o jornal Minuano, de Alegrete e o Rotary Club de São Jerônimo, fez questionamentos sobre bioterrorismo, insegurança e banco genético.

A produtora rural Cristina Maurente, de Bagé, defendeu a manutenção da vacina e apontou os riscos e prejuízos dos produtores com uma possível retomada da enfermidade. Além disso ela afirmou que o RS não precisa procurar outros mercados internacionais, se consolidar e ampliar o as exportações para os atuais parceiros.

Foto: Divulgação/Assessoria de comunicação

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