Tudo bem com você investidor? Hoje, o papo é reto e fundamental para quem opera ou está começando no mercado financeiro: Títulos Públicos.
Eu vou começar dando uma introdução sobre vários investimentos, mas precisamos "engrossar um pouquinho mais o caldo" nos títulos. Quando eu comecei a investir, o meu primeiro movimento foi exatamente nos títulos públicos brasileiros. A gente fala muito de renda fixa, né? Mas temos que desmistificar isso de cara. Título público é, sim, renda fixa, se você levar o papel até o final. Caso contrário, você pode, sim, perder dinheiro na chamada marcação a mercado.
A Grande Diferença: Pós-fixado vs. Pré-fixado no Brasil
Nós vamos destrinchar um pouquinho sobre esses títulos. Eu já adianto para vocês qual tipo eu gosto e qual eu não gosto. Eu, particularmente, nunca comprei NTNB e sempre comprei título atrelado à Selic. E por que essa preferência pela Selic? Porque ela compreende a nossa taxa básica de juros, que é o parâmetro interbancário para todas as taxas de juro do país.
O nosso país, pessoal, é um mercado instável. E em mercados instáveis, a estratégia é clara: investimos no título pós-fixado, e não no pré-fixado, na minha visão.
Pensa comigo no cenário do título pré-fixado (ou o híbrido IPCA+), onde ele coloca lá o IPCA mais um rendimento. Se a inflação explodir, como já aconteceu aqui no Brasil, você vai tomar uma baita de uma fumada. O Brasil, historicamente, é um país mais instável, e por isso temos muito mais títulos atrelados ao pós-fixado (taxa Selic) do que ao pré-fixado.
Se você comprar um título pré-fixado, que é de longo prazo, e a inflação explodir para 15%, por exemplo, você vai começar a perder dinheiro. É muito complicado, já que a nossa taxa de juro, no Brasil, muitas vezes tende a aumentar. Por isso, toma muito cuidado.
Já o Tesouro Selic (que é pós-fixado) segue a Selic. Se a Selic for para 40%, o seu título vai pagar 40%, porque ele é atrelado à taxa. A maioria dos investidores gringos que vêm para o Brasil coloca o dinheiro na Selic. Por isso, aqui no Brasil, eu invisto em Selic.
O Risco da Impressora: Por que o Pós-fixado protege
Aqui entra um ponto crucial para quem investe: o governo possui um monopólio de emissão de moeda, o que, teoricamente, garante que ele honrará seus compromissos. Algumas pessoas dizem: "O governo nunca vai dar calote porque ele tem a impressora, ele pode imprimir dinheiro e te pagar". Sim, ele pode.
Mas aí reside o perigo do pré-fixado: se o governo não arrecada mais, tem problemas e precisa imprimir dinheiro para te pagar, o que acontece? Essa impressão gera uma inflação gigantesca. Ele vai te pagar, mas o que ele vai te pagar, você não vai conseguir ganhar da inflação se isso acontecer, e sim, no Brasil tudo pode acontecer.
Se você comprou um título pré-fixado (como um IPCA + 5%) e a inflação explode, seus ganhos reais são corroídos. No título Selic, se o governo precisar imprimir dinheiro, você vai acompanhar esse crescimento porque ele é atrelado à taxa básica. É por isso que eu tenho Selic aqui no Brasil, e é por isso que temos que tomar esses cuidados.
O Mecanismo: Tesouro Direto e o Empréstimo ao Governo
O que são, afinal, títulos públicos? Eles são instrumentos de renda fixa. Eles são emitidos pela Secretaria do Tesouro Nacional. Quando você compra um título, você está emprestando dinheiro para o governo federal. Ou seja, (em outras palavras, você está emprestando dinheiro para você mesmo), já que somos pagadores de impostos.
O governo utiliza esses recursos para financiar atividades essenciais como saúde, infraestrutura e segurança, é a famosa dívida que é rolada dentro do país. Os títulos públicos são considerados os investimentos com menor risco de crédito no Brasil. Não que eles não tenham risco, mas esse risco é minimizado, especialmente porque a dívida brasileira é majoritariamente em Real, o que traz uma certa estabilidade.
O processo é simples através do Tesouro Direto, um programa que democratizou o acesso aos títulos públicos em 2002. Antes disso, as pessoas físicas quase não tinham acesso, pois o valor era muito alto. Hoje, você abre conta na corretora (o que é tão fácil quanto abrir conta em um banco digital) e pode investir com um valor acessível; o investimento mínimo é de R$ 30. Você compra uma fração do título, permitindo que qualquer pessoa comece a investir.
A liquidez é diária, o que é um ponto forte. O governo garante a recompra do título todos os dias.
Marcação a Mercado e Sua Estratégia
A marcação a mercado é crucial. Mesmo com liquidez diária (D+1 ou D+2), se você resgatar antecipadamente, está sujeito a ela.
Se você comprou um título pré-fixado com uma taxa de juro X e essa taxa cair, seu título se valoriza (marcação positiva). Mas se a taxa subir, seu título desvaloriza, e você vai ter que levar ele até o final se não quiser ter prejuízo. É por isso que, para evitar perdas, a dica é manter seus investimentos até o vencimento sempre que possível.
Para quem está começando e não tem experiência nenhuma no mercado, eu sugiro a seguinte sequência de ativos para começar: primeiro, o Tesouro Direto.
Você deixa o dinheiro rendendo ali enquanto estuda o mercado. Depois, você pode ir para uma coisa mais sofisticada, como os fundos imobiliários. Eu mesmo fiquei cinco anos investindo no Tesouro Direto e estudando o mercado antes de partir para outros ativos.
Tributação (O Fisco Sempre de Olho)
Quando falamos de mercado financeiro, a tributação é um ponto importante. Os ganhos com juros e a diferença entre compra e venda dos títulos são tributados pelo Imposto de Renda.
Isso segue uma tabela regressiva que favorece o longo prazo:
• Até 180 dias: 22,5%.
• Até 360 dias: 20%.
• Até 720 dias: 17,5%.
• Acima de 720 dias: 15%.
É fundamental lembrar, pessoal, que o IR incide sobre o ganho de capital (a valorização), e não sobre o montante total investido.
Os números mostram, mas pouca gente quer enxergar. O brasileiro está se afundando em dívidas, e o país parece empurrar com a barriga uma conta que já venceu há muito tempo. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 30% das famílias estão com contas atrasadas, o maior índice da série histórica iniciada em 2010. Pior: 13% dos lares afirmam que não terão condições de pagar o que devem. Isso é o retrato de um país cansado, sufocado e sem perspectiva.
Quem vive o varejo sente isso na pele. Eu atuo na indústria, no comércio, há mais de 25 anos e nunca vi uma inadimplência como essa. O problema não é apenas a SELIC em dois dígitos, é a expansão monetária descontrolada e o governo drenando mais impostos de quem produz. O empresário está espremido, o consumidor exausto, e a roda da economia gira cada vez mais devagar.
Hoje são 15 milhões de brasileiros trabalhando para sustentar o restante do Brasil. A matemática não fecha, e quando a base produtiva fica menor, a pirâmide social colapsa. O estado gasta mais, tributa mais e entrega menos, enquanto isso, manchetes absurdas se repetem: os correios, falidos, pedem um cheque especial de 20 bilhões de reais para não quebrar de vez. E adivinhe quem vai bancar? O contribuinte, claro.
Os seus executivos gastaram mais de R$ 1,3 milhão em diárias internacionais enquanto voltavam a registrar déficit. Propaganda em festival da Colômbia, país onde sequer operam. É o retrato da irresponsabilidade estatal. O governo imprime moeda, cria programas, inventa auxílios e empurra a conta para frente, mas o dinheiro não nasce em árvore, cada “aporte do tesouro” é dívida futura, e quem paga? Nós, nossos filhos, nossos netos.
Enquanto o povo se afoga em boletos, o congresso quer aprovar auxílio de R$ 400 para imigrantes, bonito na teoria, mas financeiramente suicida, o Brasil se comporta como quem vive de cheque especial, fingindo que o limite é patrimônio, e a história mostra: nenhum país sustenta uma economia baseada em assistencialismo permanente.
basta olhar a Europa. A França, que sempre foi um dos motores do continente, hoje paga juros maiores que a Grécia, aquela que quebrou em 2008. O motivo é simples: um estado gigante, com aposentados ganhando mais que quem está na ativa. A conta estourou. E o brasil está trilhando o mesmo caminho, só que com menos estrutura, mais impostos e uma produtividade vergonhosa.
Um estudo do instituto esfera projeta que o Brasil terá o maior aumento de carga tributária do mundo até 2050. podemos chegar a 42,8% do PIB só em impostos. É o estado tomando metade da renda de quem produz e devolvendo em serviços precários, estradas esburacadas e escolas falidas. E ainda tem quem defenda esse modelo dizendo “ah, mas nos países nórdicos é 50% é imposto”, mas lá o dinheiro volta em qualidade de vida, educação e segurança. Aqui, volta em diárias de viagens e publicidade estatal.
O cenário é preocupante e, ao mesmo tempo, previsível. O país que pune quem empreende e premia quem depende não tem futuro, enquanto o Brasil amplia a carga tributária, o México e o Chile seguem o caminho oposto: fortaleceram seus mercados de capitais, criaram sistemas previdenciários baseados em capitalização individual e incentivaram a poupança e o investimento de longo prazo. O Chile hoje é um dos países mais ricos da américa latina em ativos financeiros per capita, superando o Brasil com folga.
O segredo deles não está em discursos bonitos, mas em libertar o cidadão do estado. Quando o dinheiro é seu e a responsabilidade também, você aprende a cuidar, no brasil, o governo insiste em infantilizar a população com auxílios e promessas, porque quanto mais dependente o povo, mais poderoso o líder. Pessoas independentes constroem nações ricas; dependentes constroem líderes ricos.
É por isso que a educação financeira nunca entra nas escolas, não interessa ao sistema que o cidadão entenda de juros compostos, de inflação, de investimentos. interessa que ele vote, consuma e aceite o que dizem que é “para o bem dele”, mas o caminho é o oposto: quanto mais conhecimento, mais liberdade.
Muita gente me pergunta como investir com pouco dinheiro. É simples: não importa com quanto você começa, importa o hábito, quando comecei, investia R$ 50 por mês. Não fazia diferença no bolso, mas criava um hábito, o de estudar, entender, evoluir, e foi esse hábito que mudou a minha vida financeira, não o valor inicial.
É disso que o Brasil precisa, menos assistencialismo, mais educação, menos impostos, mais liberdade, menos dependência, mais responsabilidade. Enquanto continuarmos acreditando que o estado é a solução, ele continuará sendo o problema.
proteja o seu dinheiro. Proteja a sua família, e lembre-se: investir não é sobre quanto você tem, é sobre o quanto você entende, porque o conhecimento é o único ativo que nenhum governo consegue taxar.

