Os números mostram, mas pouca gente quer enxergar. O brasileiro está se afundando em dívidas, e o país parece empurrar com a barriga uma conta que já venceu há muito tempo. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 30% das famílias estão com contas atrasadas, o maior índice da série histórica iniciada em 2010. Pior: 13% dos lares afirmam que não terão condições de pagar o que devem. Isso é o retrato de um país cansado, sufocado e sem perspectiva.
Quem vive o varejo sente isso na pele. Eu atuo na indústria, no comércio, há mais de 25 anos e nunca vi uma inadimplência como essa. O problema não é apenas a SELIC em dois dígitos, é a expansão monetária descontrolada e o governo drenando mais impostos de quem produz. O empresário está espremido, o consumidor exausto, e a roda da economia gira cada vez mais devagar.
Hoje são 15 milhões de brasileiros trabalhando para sustentar o restante do Brasil. A matemática não fecha, e quando a base produtiva fica menor, a pirâmide social colapsa. O estado gasta mais, tributa mais e entrega menos, enquanto isso, manchetes absurdas se repetem: os correios, falidos, pedem um cheque especial de 20 bilhões de reais para não quebrar de vez. E adivinhe quem vai bancar? O contribuinte, claro.
Os seus executivos gastaram mais de R$ 1,3 milhão em diárias internacionais enquanto voltavam a registrar déficit. Propaganda em festival da Colômbia, país onde sequer operam. É o retrato da irresponsabilidade estatal. O governo imprime moeda, cria programas, inventa auxílios e empurra a conta para frente, mas o dinheiro não nasce em árvore, cada “aporte do tesouro” é dívida futura, e quem paga? Nós, nossos filhos, nossos netos.
Enquanto o povo se afoga em boletos, o congresso quer aprovar auxílio de R$ 400 para imigrantes, bonito na teoria, mas financeiramente suicida, o Brasil se comporta como quem vive de cheque especial, fingindo que o limite é patrimônio, e a história mostra: nenhum país sustenta uma economia baseada em assistencialismo permanente.
basta olhar a Europa. A França, que sempre foi um dos motores do continente, hoje paga juros maiores que a Grécia, aquela que quebrou em 2008. O motivo é simples: um estado gigante, com aposentados ganhando mais que quem está na ativa. A conta estourou. E o brasil está trilhando o mesmo caminho, só que com menos estrutura, mais impostos e uma produtividade vergonhosa.
Um estudo do instituto esfera projeta que o Brasil terá o maior aumento de carga tributária do mundo até 2050. podemos chegar a 42,8% do PIB só em impostos. É o estado tomando metade da renda de quem produz e devolvendo em serviços precários, estradas esburacadas e escolas falidas. E ainda tem quem defenda esse modelo dizendo “ah, mas nos países nórdicos é 50% é imposto”, mas lá o dinheiro volta em qualidade de vida, educação e segurança. Aqui, volta em diárias de viagens e publicidade estatal.
O cenário é preocupante e, ao mesmo tempo, previsível. O país que pune quem empreende e premia quem depende não tem futuro, enquanto o Brasil amplia a carga tributária, o México e o Chile seguem o caminho oposto: fortaleceram seus mercados de capitais, criaram sistemas previdenciários baseados em capitalização individual e incentivaram a poupança e o investimento de longo prazo. O Chile hoje é um dos países mais ricos da américa latina em ativos financeiros per capita, superando o Brasil com folga.
O segredo deles não está em discursos bonitos, mas em libertar o cidadão do estado. Quando o dinheiro é seu e a responsabilidade também, você aprende a cuidar, no brasil, o governo insiste em infantilizar a população com auxílios e promessas, porque quanto mais dependente o povo, mais poderoso o líder. Pessoas independentes constroem nações ricas; dependentes constroem líderes ricos.
É por isso que a educação financeira nunca entra nas escolas, não interessa ao sistema que o cidadão entenda de juros compostos, de inflação, de investimentos. interessa que ele vote, consuma e aceite o que dizem que é “para o bem dele”, mas o caminho é o oposto: quanto mais conhecimento, mais liberdade.
Muita gente me pergunta como investir com pouco dinheiro. É simples: não importa com quanto você começa, importa o hábito, quando comecei, investia R$ 50 por mês. Não fazia diferença no bolso, mas criava um hábito, o de estudar, entender, evoluir, e foi esse hábito que mudou a minha vida financeira, não o valor inicial.
É disso que o Brasil precisa, menos assistencialismo, mais educação, menos impostos, mais liberdade, menos dependência, mais responsabilidade. Enquanto continuarmos acreditando que o estado é a solução, ele continuará sendo o problema.
proteja o seu dinheiro. Proteja a sua família, e lembre-se: investir não é sobre quanto você tem, é sobre o quanto você entende, porque o conhecimento é o único ativo que nenhum governo consegue taxar.
Há um ponto em economia que poucos percebem, mas que muda completamente a forma como enxergamos riqueza, inflação e poder. Ele foi descrito ainda no século XVIII por um economista irlandês chamado Richard Cantillon. E o curioso é que, mesmo três séculos depois, continua mais atual do que nunca. O chamado efeito Cantillon é a explicação mais clara de como a expansão monetária cria distorções profundas na economia real, concentrando renda, alterando preços relativos e gerando um tipo de inflação que não aparece de imediato nos indicadores.
Cantillon observou algo simples, mas poderoso: o dinheiro novo não entra na economia de forma neutra. Ele tem um ponto de entrada. E quem recebe esse dinheiro primeiro ganha poder de compra antes que os preços subam. Enquanto isso, quem está na ponta, recebendo por último, já enfrenta o aumento de preços sem ter tido o mesmo ganho. É uma transferência silenciosa de riqueza, feita não por impostos, mas pela ordem de chegada do dinheiro novo.
Na prática, isso significa que bancos, grandes empresas e governos, que recebem esse dinheiro antes do resto da economia, acabam sendo beneficiados. Eles compram ativos, imóveis, ações e insumos antes que os preços se ajustem. Enquanto isso, trabalhadores, aposentados e pequenos empresários sentem o efeito apenas quando o dinheiro já perdeu valor. É o tipo de desigualdade que não aparece em gráficos, mas corrói lentamente a base de qualquer sociedade.
Se olharmos para os últimos quinze anos, fica fácil enxergar isso. Desde a crise de 2008, o mundo viveu um experimento monetário sem precedentes. Bancos centrais inundaram o sistema financeiro com liquidez, juros negativos e programas de compra de ativos. O resultado foi a inflação dos preços dos ativos: bolsas dispararam, imóveis se valorizaram e as grandes corporações acumularam fortunas. Mas o trabalhador comum não viu essa riqueza. O custo de vida subiu, o poder de compra caiu e a promessa de prosperidade se perdeu no meio do caminho.
O Brasil, como sempre, importou parte dessa dinâmica, mas com suas próprias distorções. Aqui, o efeito Cantillon se mistura com o fiscal. O governo gasta, se endivida, injeta dinheiro via bancos públicos e subsídios, e esse dinheiro entra primeiro no topo da cadeia. Quem tem acesso ao crédito subsidiado, às grandes licitações e às operações financeiras de alto valor se beneficia. Quem está na base recebe a inflação depois, nos preços do supermercado e no aluguel.
O resultado é o que já conhecemos: concentração, desigualdade e uma sensação constante de que quem trabalha mais não necessariamente melhora de vida. E não é coincidência. É o funcionamento normal de um sistema que recompensa quem está mais próximo da fonte do dinheiro e pune quem está distante dela.
Quando olhamos para os movimentos recentes, expansão fiscal, programas de crédito e política de juros, é impossível não ver o mesmo padrão se repetindo. Sempre que o Estado tenta “estimular” a economia com dinheiro novo, cria uma bolha temporária. O consumo aumenta, os índices de curto prazo melhoram, mas logo vem o reajuste de preços. O dinheiro novo perde valor, e o poder de compra de quem está na base volta a ser corroído.
Isso é o efeito Cantillon na prática: o tempo entre a criação do dinheiro e o momento em que a inflação é percebida é o intervalo em que a transferência de riqueza acontece. É nesse espaço que o sistema financeiro e o setor público se beneficiam. E o curioso é que, mesmo com toda a tecnologia e transparência de dados, esse mecanismo continua invisível para a maioria.
Há ainda um componente psicológico. Quando as pessoas percebem que precisam trabalhar cada vez mais para manter o mesmo padrão, mas que o dinheiro se desvaloriza, surge o que chamo de inflação moral. É o sentimento de injustiça econômica. E esse sentimento é perigoso. Ele corrói a confiança no sistema e cria terreno fértil para populismos e promessas fáceis.
A única forma de se proteger desse ciclo é entender onde o dinheiro nasce e como ele se espalha. Investidores que compreendem o efeito Cantillon conseguem se posicionar antes da maré. Buscam ativos reais, proteções contra inflação e diversificam sua exposição à moeda local. É o movimento de quem entende que o valor não está apenas no quanto se ganha, mas no que o dinheiro ainda compra.
O efeito Cantillon é mais do que uma teoria. É uma lente de leitura da economia moderna. Mostra que a inflação não é apenas o aumento de preços, mas um processo de redistribuição de poder. Quem tem acesso ao crédito barato, quem opera próximo aos centros de decisão e quem entende os fluxos monetários sempre sai na frente.
Em tempos de déficits crescentes, juros reais baixos e promessas de estímulos fiscais, entender esse mecanismo é questão de sobrevivência financeira. Porque a história mostra que a expansão monetária nunca é neutra. Ela tem direção, tem endereço e tem beneficiários claros. O que muda é apenas o discurso que tenta justificar o processo.
Talvez a grande lição de Cantillon seja essa: a inflação não começa no supermercado, mas no banco central. E quem entende isso para de olhar apenas para os números e começa a enxergar a lógica. Dinheiro é poder, mas o poder de compra se move antes do preço.

